domingo, 9 de agosto de 2026

Uma abordagem de gênero e genealógica de uma carta inédita de Agostinho de Hipona (Divjak 13 Pedro Paulo A . Funari

https://www.academia.edu/171403623/Uma_abordagem_de_g%C3%AAnero_e_geneal%C3%B3gica_de_uma_carta_in%C3%A9dita_de_Agostinho_de_Hipona_Divjak_13?email_work_card=title As cartas de Agostinho de Hipona nem sempre são citadas nas reflexões filosóficas e históricas referente a questões conceituais e isso, em parte, por serem epístolas circunstanciais e específicas. Menos frequentadas, ainda, são as cartas descobertas e publicadas ao final do século XX, quase todas inéditas em português. Publicamos já duas delas referentes à escravização e a outros grupos sociais subalternizados, de modo a chamar a atenção para o imenso potencial dessa correspondência para no estudo da Antiguidade Tardia em suas nuanças sociais, políticas, econômicas, religiosas e das relações de gênero. A carta Divjak 13*, em específico, aproxima-nos de aspectos centrais da cosmovisão agostiniana, de modo a evidenciar questões atinentes às relações de poder, desigualdade social e jurídica, a onipresença dos rumores, e a vulnerável condição feminina na Antiguidade Tardia como um todo, e no seio das comunidades cristãs, em específico. Conclui-se que atrelada a uma ordem social humana na qual coexistem senhores e escravizados, a cosmovisão de Agostinho pensa Deus como o proprietário escravista, e o ser humano como o escravizado. Como corolário, há também as escravizadas e suas respectivas senhoras. Não é de estranhar, portanto, que à mulher, na Epístola 13* Divjak de Agostinho, é atribuído o papel de “escrava dos desejos”, pois tampouco os varões estavam livres da subserviência à carne.

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