lunes, 20 de julio de 2026

Os romanos e o passado doi Pedro Paulo A . Funari

https://www.academia.edu/170353925/Os_romanos_e_o_passado_doi Os romanos e o passado Os romanos abastados guardavam, em suas casas, as máscaras de seus antepassados ilustres e os tomavam como motivo de inspiração. Almejavam alcançar a mesma glória e retidão de caráter e comportamento, além de bravura, coragem e abnegação. Mesmo fora desses ambientes aristocráticos, os homens comuns miravam-se nas narrativas sobre os grandes do passado e buscavam, na medida do possível, não só estarem à altura, como superarem os antigos. Por muito tempo, essa emulação foi o resultado da tradição oral, tal como contada nos círculos familiares em torno às máscaras. Com o passar dos séculos, surgiu a História, gênero literário que iria consolidar e aprofundar essas tendências. Dois dos maiores historiadores romanos foram Tito Lívio (59 a.C.-17 d.C.) e Tácito (56-117 d.C.) e cada um à sua maneira contribuiu para conformar, pelos séculos seguintes, uma infinidade de histórias, muitas delas conosco até hoje. Lívio imortalizou, tanto para os romanos como para todos nós, Rômulo e Remo, os reis fundadores de tantas instituições, mas também Lucrécia, Brutus e Cincinato, que viria a ser modelo para os revolucionários americanos, no século XVIII. Áspero e cultor do estilo desarmônico, Tácito voltou-se a expor os vícios últimos do poder, como na sua famosa denúncia do império que resulta na paz dos cemitérios. O imperialismo, desde então e até hoje, está consignado nessa avaliação de Tácito. Tudo isto é a matéria-prima da Professora da Unirio Juliana Bastos Marques, neste livro que resulta de sua tese de doutoramento, defendida na Universidade de São Paulo. Esmiuça, a partir do seu domínio do idioma latino, os meandros dos historiadores romanos para mostrar como as identidades romanas, fluidas, em constante mudança e negociação, relacionavam-se, de forma intricada, com as narrativas historiográficas. Obra agradável, ela transcende o universo acadêmico e pode ser usufruída por todos que se interessam pela complexa relação entre o passado e o presente. O leitor percorre suas páginas com leveza e chega ao fim com a sensação tanto de satisfação como de instigação a mais leituras: o que pode haver de melhor?

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